domingo, 19 de dezembro de 2010

Uma editora que nos faz ler através dos ouvidos

É entre as estantes de livros, em casa de Oriana Alves, que fica o estúdio improvisado onde são gravados os audiolivros da Boca. O espaço não podia ser mais apropriado. Um banco, um microfone e uns auscultadores, num pequeno recanto entre poesia e ficção e uma panóplia de instrumentos musicais - está ali tudo o que é preciso para transformar livros em histórias para ouvir. No catálogo da editora Boca já se podem encontrar clássicos como O Tesouro, de Eça de Queiroz, ou A Carta da Corcunda para o Serralheiro, de Fernando Pessoa, textos contemporâneas como as Memórias de Um Craque, de Fernando Assis Pacheco, histórias politicamente incorrectas como as que conta Thomas Bakk e agora também uma antologia de contos tradicionais alentejanos, acabadinha de chegar às lojas.
A Boca - Palavras que alimentam nasceu há cerca de quatro anos do sonho de um grupo de amigos que queriam editar livros. Entretanto, os amigos partiram para outras aventuras e Oriana continuou o projecto. Os audiolivros juntam num só objecto duas das suas grandes paixões - a literatura e o som (ou a rádio): "É algo que está em desuso e que, de alguma forma estamos a recuperar: alguém a ler para nós ou a contar-nos uma história."
"Também fui percebendo o potencial que havia neste produto, que é um nicho de mercado ainda pouco explorado", explica. De experiência em experiência, Oriana foi descobrindo exactamente aquilo que queria fazer na sua editora: "Para mim os objectos são muito importantes", diz. Não lhe bastava apenas ter um disco com alguém a ler bem (e com vozes como as de Fernando Alves ou Maria do Céu Guerra), depressa percebeu a importância de uma excelente sonoplastia, acrescentando música e sons às suas histórias (as primeiras edições foram da responsabilidade de António J. Martins e Amélia Muge, agora é Nuno Mourão que assegura a música e os arranjos). Além disso, queria que, sempre que possível, o texto estivesse presente também em suporte físico e a tudo isto acrescenta um cuidado especial no design dos livros, desafiando ainda ilustradores como Nuno Saraiva ou António Salvador Carvalho.
O melhor exemplo de tudo isto é a última edição - Anda cá que eu já te conto, que é o segundo título da colecção Hot - Histórias Oralmente Transmissíveis. Este não é um audiolivro, é um videolivro que surgiu em colaboração com o projecto Memoriamedia, de José Barbieri. "A nossa ideia era fazer uma recolha de contos tradicionais portugueses, mas o repertório é tão vasto que nos ficámos pelo Baixo Alentejo", explica Oriana. Mas as outras regiões não estão esquecidas, estão apenas à espera de uma oportunidade.
Com edições de mil exemplares à venda das lojas Fnac e em livrarias seleccionadas, Oriana Alves tem muitos projectos para a Boca. Editar livros para crianças, os clássicos portugueses, apostar na poesia, continuar a recolha da tradição oral, fazer teatro radiofónico ou até ter uma rádio online. Investir mais na venda de ficheiros digitais, através do site www.boca.pt.
E como diria o contador Luís Carmelo: "E, bem ou mal contado, o meu conto está terminado."

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

sábado, 11 de dezembro de 2010

Site literário incentiva adolescentes a escrever

O projeto online Figment.com foi criado por Jacob Lewis, ex-editor da revista The New Yorker, e por Dana Goodyear, jornalista da mesma revista. O site, já em funcionamento, é uma forma simples e gratuita para os jovens lerem e escreverem ficção no computador e também no telemóvel.
No Figment os utilizadores podem escrever romances, contos e poemas, colaborar com outros autores, e, ao mesmo tempo, dar e receberfeedback sobre os trabalhos publicados. O projeto começou por ser pensado como um Facebook literário para adolescentes, mas os criadores convenceram-se que os jovens não querem um novo Facebook, mas sim "ler, escrever e descobrir novos conteúdos", segundo afirmou Jacob Lewis ao The New York Times.
O Figment pretende explorar e expandir um novo género literário - o "romance de telemóvel" - que teve origem recentemente no Japão, onde raparigas se ocupam a escrever ficção nos seus telemóveis.
"Queríamos que as pessoas fossem capazes de escrever o que quisessem em qualquer forma que quisessem", afirmou Lewis, acrescentando que os trabalhos já publicados incluem ficção científica, biografias e romances longos. Lewis espera que o Figment ultrapasse 1 milhão de utilizadores.
"Crepúsculo", a saga da autora americana Stephenie Meyer que se tornou um fenómeno mundial e ressuscitou o fascínio por romances paranormais, é um exemplo da grande influência dos gostos de leitura dos adolescentes no mercado dos livros. É neste contexto que o Figment está a receber atenção por parte dos editores, que podem aprender mais sobre os hábitos de leitura dos adolescentes e melhorar a oferta. Ao mesmo tempo, podem encontrar novos talentos e promover autores.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

"Batalha de Leituras"

“O Município da Batalha promove a realização do debate ”Batalha de Leituras” no próximo dia 11 de Dezembro. Explorar estratégias de motivação da leitura entre os mais novos, constitui o grande objectivo deste debate.”
09h30 – Recepção dos participantes
10h00 – Sessão de abertura
10h30-12h00
– Maria João Sampaio – Biblioteca Municipal do Porto
“Dar a ler, partilhar leituras e criar leitores”

- Sílvia Alves - Coordenação editorial d’A Bruxinha

“Ler e contar – Crescer com as palavras”

- Natália Caseiro – Escola Secundária Domingos Sequeira

“Práticas de Leitura dos jovens: oferta/procura; consumo/resistência”

As inscrições são gratuitas e podem ser efectuadas para o seguinte endereço de e-mail: biblioteca@cm-batalha.pt

Novo Acordo Ortográfico será aplicado no próximo ano lectivo


O novo Acordo Ortográfico vai ser aplicado nas escolas já no próximo ano lectivo 2011/2012, ou seja, em Setembro do próximo ano, decidiu hoje o Governo em Conselho de Ministros.
O anúncio foi feito pelo ministro da Presidência no final da reunião. A resolução do Conselho de Ministros determina também que três meses mais tarde, ou seja, a partir de 1 de Janeiro de 2012, as novas regras ortográficas serão também aplicadas a toda a actividade do Governo e dos organismos, entidades e serviços que dele dependem.
Mas até lá, e já a partir do próximo dia 1 de Janeiro, serão lançadas campanhas de sensibilização e informação para os cidadãos e outras específicas para os funcionários públicos, com o objectivo de esclarecer as implicações do novo Acordo Ortográfico.
Além disso, a resolução do Conselho de Ministros aprovada hoje adopta o novo Vocabulário Ortográfico do Português derivado do acordo, e o conversor Lince como ferramenta de conversão ortográfica de texto para a nova grafia. Ambos estão acessíveis gratuitamente em www.portaldalinguaportuguesa.org, assim como em todas as páginas dos ministérios na internet.
O Acordo Ortográfico, que será adoptado pelos oito Estados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, foi aprovado pelo Parlamento português em 2008. Entrou em vigor em Janeiro deste ano, mas foi definido um período transitório de seis anos para a sua adaptação e aplicação progressiva.
A adopção do acordo, defende o Governo, " visa contribuir para a expansão e afirmação da língua portuguesa, através da consolidação do seu papel como meio de comunicação e difusão do conhecimento, como suporte de discurso científico, como expressão literária, cultural e artística e, ainda, para o estreitamento dos laços culturais".
In: Público

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Inscrições para o Concurso Nacionald e Leitura - 1ª Fase

Regulamento do Concurso Nacional da Leitura

1ª Fase - Eliminatória a Nível de Escola

Artº 1º
Objectivos
Promovido pelo Plano Nacional de Leitura – em articulação com a RTP, com a DGLB /Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas e com a Rede das Bibliotecas Escolares – o Concurso Nacional de Leitura pretende estimular a prática da leitura entre os alunos do Ensino Secundário e do 3º Ciclo do Ensino Básico.
O Concurso Nacional de Leitura decorrerá em três fases diferentes: a 1ª Fase, a realizar nas escolas; a 2ª Fase, a realizar nas Bibliotecas Municipais designadas pela DGLB; e a 3ª Fase, correspondente à Final Nacional, realizada em Lisboa em colaboração com a RTP.
O presente Regulamento refere-se exclusivamente à 1ª Fase, mas tem subjacente o Regulamento do Concurso a Nível Nacional.
 Artº 2º
Condições gerais de participação
A participação no concurso está aberta a todos os alunos do Agrupamento, que a ele adiram, através do preenchimento de uma Ficha de Inscrição na Biblioteca Escolar até ao dia 10 de Dezembro (6ª feira).
No caso de serem seleccionados para as Finais Distritais ou para a Final Nacional, os candidatos menores de 16 anos não poderão participar sem a autorização expressa dos encarregados de educação.
Artº 3º
Categorização dos concorrentes
Os concorrentes serão repartidos em duas categorias: alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico (7º e 8º anos de escolaridade) e alunos do Ensino Secundário (10º ano de escolaridade).
Artº 4
Júri a Nível de Escola
O Júri a nível de Agrupamento é presidido pela Professora Bibliotecária e integra, ainda, a Coordenadora do Departamento de Línguas e dois Docentes de Português, Professores António José Carvalho e Lucília Figueiredo.
Artº 5
Competências do Júri a Nível de Escola
Cabe ao Júri a Nível de Escola: a organização da 1ª Fase do Concurso; o acompanhamento das três Fases; a selecção das obras tomadas como referência para o Concurso e o desenvolvimento do processo de selecção dos alunos que participarão nas fases seguintes. O Júri decidirá, ainda, sobre quaisquer matérias omissas neste Regulamento.
Artº 6º
Fases do Concurso Nacional de Leitura
Após o anúncio público do Concurso Nacional de Leitura, as respectivas provas serão organizadas em três fases. A 1ª Fase – Eliminatórias a realizar nas escolas _ terminará impreterivelmente no dia 14 de Janeiro de 2011. Embora na maioria dos casos a coordenação seja assegurada por docentes da área do Português ou pelo Professor Bibliotecário que coordena a Biblioteca Escolar, qualquer professor da escola poderá aderir com alunos das suas turmas ao CNL. Cada escola seleccionará um máximo de três vencedores, em cada uma das duas categorias – 3º Ciclo do Ensino Básico e Ensino Secundário –, que estarão presentes na respectiva Final Distrital (2ª Fase do Concurso). A 2ª Fase terá lugar durante o segundo Período lectivo, desejavelmente ao longo dos meses de Março e Abril, numa Biblioteca Municipal do Distrito, a designar. A 3ª Fase corresponde à Final Nacional e terá lugar durante o mês de Maio de 2011, em data e local a anunciar. A RTP produzirá o evento e transmitirá a sessão.
 Artº 7º
Provas de selecção / data de realização
Fica ao critério dos respectivos Júris a elaboração das provas de selecção.
Globalmente, as provas, escritas ou orais, deverão avaliar os conhecimentos dos concorrentes sobre as obras seleccionadas.
Para a selecção dos finalistas a nível de escola, poderão ser usados questionários de escolha múltipla, ou qualquer outra forma de expressão, nomeadamente comentários pessoais redigidos pelos participantes. As eventuais situações de ex aequo serão desempatadas mediante provas adicionais e não através de sorteio.
As provas de selecção, a nível de escola, serão realizadas no dia 10 de Janeiro de 2011, às 14 horas, na Biblioteca Escolar.
Artº 8º
Obras de referência para as Provas de Selecção
As obras tomadas como referência para as provas da 1ª Fase do Concurso Nacional de Leitura serão as seguintes:
3º Ciclo do Ensino Básico:
História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar” da autoria de Luís Sepúlveda
A Estrela”, in “Contos”, da autoria de Virgílio Ferreira
             Ensino Secundário:
Amor de perdição”, da autoria de Camilo Castelo Branco
Artº 9º
Prémios
Os alunos seleccionados nesta 1ª Fase receberão prémios relevantes.
Para mais informações aconselha-se a consulta do sítio PNL.
www.planonacionaldeleitura.gov.pt
Para esclarecimentos/informações escrever para:
lermais@planonacionaldeleitura.gov.pt

Alunos portugueses melhoraram competências na língua, matemática e ciências

Os alunos portugueses conseguiram melhores resultados do que em anos anteriores nos testes feitos no âmbito do PISA (Programme for International Student Assessment), que avalia o desempenho escolar dos jovens de 15 anos dos países da OCDE e de outros países ou parceiros económicos. As áreas avaliadas são a literacia em leitura, na matemática e na ciência.
O ano de 2009 é o primeiro em que é possível fazer comparações, uma vez que o PISA é aplicado de três em três anos, tendo sido aplicado pela primeira vez em 2000, ano em que se avaliou a literacia em leitura dos alunos de 15 anos. A leitura voltou a estar em foco em 2009, ano em que a OCDE aproveitou para voltar a analisar, de maneira sucinta, a Matemática e as Ciências.
Assim, a OCDE constata que Portugal melhorou nas três áreas científicas e isso deve-se, acredita a organização, às medidas políticas aplicadas desde 2005. O investimento feito em computadores portáteis, acesso à banda larga, refeições, aumento do apoio social escolar contribuíram para a evolução, aponta o relatório da OCDE. Outros factores foram o Plano Nacional de Leitura, o Plano de Acção para a Matemática, bem como a formação de professores em Matemática e Ciências. A aplicação das provas de aferição (nos 4.º e 6.º anos), assim como os exames nacionais (no final do 3.º ciclo e no secundário) também fazem parte das medidas que a OCDE elogia. Bem como a criação de novas ofertas educativas para os alunos, como os cursos profissionais.
“Portugal é um dos seis países que no PISA 2009 melhorou o seu desempenho na leitura”, refere o relatório, acrescentando que isso deve-se à evolução dos alunos com piores desempenhos, enquanto os que tinham melhores resultados mantiveram-nos.
Assim, em 2000, os alunos de 15 anos portugueses ficavam-se pelos 470 pontos (numa escala de 1 a 698) na leitura. Nove anos depois, Portugal subiu 19 pontos, colocando Portugal ao lado da Suécia, Irlanda, França ou Reino Unido e dentro da média da OCDE. No PISA 2009, a melhor performance pertence a Xangai/China, seguida de dois países da OCDE que habitualmente estão no topo da tabela, a Coreia e a Finlândia. A diferença entre Xangai e o México, o país com o pior desempenho é de 114 pontos.
A Matemática e a Ciências também se verifica uma melhoria de 21 e 19 pontos, respectivamente. Portugal sobe de 466 pontos, em 2003, na avaliação à literacia matemática, para 487. Também a Matemática, Xangai está à frente com 600 pontos, seguida da Coreia com 546. A Ciências, os alunos portugueses saltam de 474 para 493 pontos. Mais uma vez, os lugares no topo repetem-se.
Cerca de 470 mil estudantes fizeram os testes do PISA, representando cerca de 26 milhões de jovens de 15 anos que estão na escola, em 65 países e economias (por exemplo, a China é representada por algumas economias como a de Macau, Hong Kong e Xangai). Em 2010 mais 50 mil estudantes fizeram uma segunda bateria de testes, o que representa cerca de dois milhões de jovens de 15 anos, estes são de outros dez países parceiros da OCDE. Cada aluno fez uma prova de duas horas de leitura, matemática e ciências. Em 20 países, os alunos tiveram que responder a perguntas feitas sobre leitura digital, ou seja, com um computador à frente. Os estudantes responderam ainda a um questionário, com a duração de 30 minutos, sobre a sua experiência pessoal, métodos de estudo, atitude perante a leitura, o seu empenho e motivação. A avaliação do PISA ficou concluída com um questionário preenchido pelos directores das escolas sobre as características da população escolar e o desempenho académico da mesma.
No total, participaram 34 países da OCDE e 41 países e economias parceiras da organização. Em 2012, a OCDE volta a avaliar as competências matemáticas dos alunos de 15 anos e, três anos depois, as competências na área das ciências.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

I Encontro de Bibliotecas Escolares de Ansião

Vai decorrer, no próximo dia 22 de Dezembro, no Centro de Negócios de Ansião, um Encontro de Bibliotecas Escolares, organizado pelo Grupo de Trabalho Concelhio de Bibliotecas.

Consulte o Cartaz e o Programa

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Fernando Pessoa. Faz hoje 75 anos que perdemos o maior poeta português

Fernando Pessoa
Mini B.I. Nasceu a 13 de Junho de 1888 em Lisboa. Ainda na infância, teve o primeiro amigo imaginário ou pseudónimo: Chevalier de Pas. Ainda se inscreveu na Faculdade de Letras, mas desistiu e começou a trabalhar como tradutor e correspondente estrangeiro em casas comerciais. Só publicou um livro em vida: "Mensagem". Morreu de cirrose hepática aos 47 anos.
Personalidade "Era tímido, fechado, mas com uma personalidade de liderança. Muito generoso e tinha um lado de brincalhão, que vemos nas cartas a Ofélia [namorada]", diz o investigador de Fernando Pessoa, Antonio Cordiello.
Poema
"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente."

Um bom tema de conversa Se encontrasse Fernando Pessoa na rua, podia pedir-lhe indicações sobre o melhor absinto de Lisboa, o ambiente no Martinho da Arcada ou que livro comprar. Pessoa era um leitor voraz. Conselhos para escrever cartas de amor, é melhor dispensar. Vai acabar com um poema carregado de diminutivos, ao estilo "almofadinha".

Álvaro de Campos: o engenheiro
Mini B.I. 
"Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890", explicava o próprio Fernando Pessoa em carta a Adolfo Casais Monteiro. Depois de uma educação banal, foi para Glasgow, na Escócia, estudar engenharia naval. Numas férias no Oriente, descobre o opiário e torna-se, digamos, fã da substância. Mais tarde veio Lisboa, onde estava em "inactividade". Morre no mesmo ano que Fernando Pessoa.
Personalidade
"Excêntrico, provocador até mesmo brincalhão. Passou pela febre do modernismo, o fascínio pelo oriente e por último uma fase de grande pessimismo", explica ao i Antonio Cardiello.
Poema "Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Um bom tema de conversa
Se Álvaro de Campos fosse vivo, ia adorar falar de iPads, Kindles e outras tecnologias de ponta. O engenheiro era um modernista fascinado por máquinas. Falar sobre a sua última viagem ao oriente também seria um bom desbloqueador de conversa.

Alberto Caeiro: viver no campo
Mini B.i. Um homem do campo que escrevia por inspiração. Fernando Pessoa descreveu-o como o "mestre" que apareceu nele. "Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; era de Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. Morreu turberculoso em 1915", escreveu o poeta.
Personalidade
"É um homem simples, equilibrado, de inspiração pré-socrática. Representa o homem inserido na natureza", diz Antonio Cardiello. O heterónimo fundamental do paganismo. É um homem dos sentidos, um poeta da natureza que defendia que "pensar é estar doente dos olhos".
Poema
"Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar"
Um bom tema de conversa
Falar do último turismo rural que abriu no Alentejo era um óptimo começo. Se visitou algum país com reservas biológicas, tipo Galapagos ou Costa Rica, também é bem jogado. Conversas mais complexas e elaboradas é que nem por isso.

Ricardo Reis: o médico
Mini B.I.
"Ricardo Reis nasceu em 1887 (não me lembro do dia e mês, mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil", explicava Fernando Pessoa numa carta de 1935. Estudou num colégio de Jesuítas e deixou o país porque era um monárquico convicto. Morreu, segundo José Saramago, em 1936.
Personalidade
É um homem que aceita o destino. E não é preciso dizer mais. "É de um estoicismo... Enfrenta a vida e vive o instante, o momento concreto. É um aristocrata, um pouco bucólico", diz Antonio Cardiello.
Poema
"Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre."
Um bom tema de conversa
Não lhe peça conselhos de medicina mesmo que lhe doa as costas. Os médicos também gostam de falar de outras coisas. Neste caso poderia puxar o tema da monarquia ou melhor: o sentido da vida. Garantimos que ia ter uma discussão estoicista bem interessante.

Obra de Fernando Pessoa ainda é um desassossego

Fernando Pessoa morreu há 75 anos, mas a obra continua a suscitar interesse, sobretudo no estrangeiro. Em França, o "Livro do desassossego" já vendeu 185.000 cópias e a palavra "intranquilité" ("desassossego") vai entrar  no dicionário da Academia da Língua Francesa.
"Os portugueses cansam-se facilmente de tudo", sintetizou, a propósito do relativo "abandono" a que o escritor tem sido votado, o ensaísta Eduardo Lourenço,  em conversa com o JN à margem do II Congresso Internacional Fernando Pessoa realizado na passada semana.
"O caso de Fernando Pessoa é o caso paradigmático de alguém por quem os portugueses dizem sentir grande apreço, mas do qual, no fim, nem sequer se apercebem da dimensão internacional", disse, por seu turno, Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa, que, desde há dois anos, tem vindo a organizar aqueles encontros pessoanos.
A obra e o pensamento do autor de "Mensagem" - que morreu aos 47 anos - continuam a influenciar artistas contemporâneos de diversas áreas. Daí que não seja estranho que uma obra como "O livro do desassossego", publicada pela primeira vez há 120 anos, continue com honras de "best seller" em países como França, Itália ou Brasil.
A paixão pela obra de  Fernando Pessoa assenta em múltiplas e variadas interpretações. Tome-se como exemplo o trabalho do músico, compositor e ensaísta brasileiro José Miguel Wisnik. Defende este investigador que Fernando Pessoa entrou no chamado  Tropicalismo e entrou no movimento da Bossa Nova através do professor Agostinho da Silva, que, por sua vez, foi levado para a Bahia pelo próprio Eduardo Lourenço.
Para José Miguel Wisnik, "Fernando Pessoa  levou o mito do V Império a uma transfiguração que tinha a ver com um novo futuro, uma ordem mundial futura em que a língua portuguesa voltaria a ser predominante". E o investigador sublinhou ainda o facto de Fernando Pessoa "se ter popularizado no Brasil através da canção,  (muitos compositores brasileiros musicaram poemas seus) demonstrando, assim, como a mais "alta" cultura se misturou com a cultura "popular", a enriqueceu e criou a especificidade da cultura brasileira".
"Esta é uma visão curiosa que acaba por ser muito estimulante para as pessoas que têm aquele medo de entrar num mundo que é aparentemente de chave fechada", defendeu Inês Pedrosa
"Pessoa congrega pessoas muito diferentes, às vezes, até com posturas antagónicas. É engraçado como, sendo ele tão tímido e ensimesmado, suscita paixões tão ardentes de compreensão exclusiva e suscita  heterónimos tão vivos e diferentes quanto os que ele criou",  sublinhou.
O fascínio tem uma explicação. Pessoa não foi só poeta ou escritor de prosa, foi também ensaísta político e teórico sobre religião e estética filosófica. Um debate em torno de Pessoa acaba, assim, por ser um debate em torno do século XX em Portugal e não só.
"Pessoa foi o sonhador de todos os sonhos, mesmo os mais improváveis", lembrou Eduardo Lourenço, que, no âmbito do congresso, foi distinguido, conjuntamente com a especialsita em assuntos pessoanos Maria Aliete Galhoz, com a "Ordem do desassossego".
A distinção, criada pela Casa Fernando Pessoa, visa "honrar aqueles que honram Pessoa e honram Portugal, sabem amá-lo e têm uma atitude de desprendimento e de curiosidade genuína como a que caracterizou Pessoa".
O filósofo, de 87 anos,sublinhou a importância da obra do poeta dos heterónimos, que definiu como "o grande poeta da incondição humana", e recordou que foi em 1942/43 que o encontrou, comentando: "Encontrarmos alguém que já nos viveu é qualquer coisa de paradoxal."
JN

Projecto de Formação para o Novo Programa de Português do Ensino Básico

Estas acções de formação, na modalidade de Projecto, assentam  em metodologias de investigação-acção centradas no contexto de cada escola e destinam-se a professores de Língua Portuguesa dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e a professores de Português do ensino secundário que, ao nível da escola/agrupamento, participam nas reuniões de trabalho específico sobre o NPPEB.
O Projecto de Formação para o Novo Programa de Português do Ensino Básico I dirige-se a professores que não estiveram envolvidos na formação sobre o NPPEB,  dinamizada pela DGIDC em 2009/2010, e o Projecto de Formação para o Novo Programa de Português do Ensino Básico II – Aprofundamento é vocacionado para os professores que frequentaram a formação sobre o NPPEB, assegurada pela DGIDC.
A dinamização destas acções será da responsabilidade dos Centros de Formação de Associação de Escolas. Os Centros de Formação interessados deverão solicitar à DGIDC (para os emails fatima.martins@dgidc.min-edu.pt ou dominique.fonseca@dgidc.min-edu.pt) a cedência das mesmas.

sábado, 27 de novembro de 2010

30 mil alunos por ano aprendem a fazer jornais


Estudantes de todo o País, entre os dez e os 18 anos, vestem a pele de jornalistas por um dia. Uma experiência que se pretende lúdica e pedagógica. O centro educativo Media Lab é hoje inaugurado oficialmente, mas já é um verdadeiro sucesso.
Mais de 30 mil alunos, de norte a sul do País, 120 por dia, são esperados no Media Lab do DN durante o seu primeiro ano de funcionamento. Qual é a importância do jornalismo? O que é e como se faz uma notícia? Quais os assuntos com maior importância num jornal e para a sociedade, em geral? Como se compõe um bom título e uma manchete? O que é e de que é feito um lead? Como se faz uma primeira página de um jornal? Como se complementa o papel com o digital?
Todas estas e tantas outras perguntas são ensinadas, na teoria e na prática, aos mais novos, no mais recente projecto do DN, o Media Lab. O centro educativo, que é hoje inaugurado e oficialmente lançado segunda-feira, vai organizar workshops sobre o mundo do jornalismo, colocando os estudantes das escolas básicas e secundárias de todo o País na pele de jornalistas por um dia.
No Media Lab, os alunos vão aprender mais sobre a importância dos meios de comunicação (e do DN, em particular) na nossa sociedade e cultura, ficarão a conhecer o edifício e a história do jornal e têm ainda a ocasião de criar uma primeira página de um diário, com conteúdos escolhidos por eles.
Um projecto inovador, que levou cerca de seis meses a ganhar vida, e que pretende cruzar a aprendizagem com a criatividade dos mais novos. Tudo isto com a ajuda de tecnologia avançada, numa clara e forte aposta do DN, a pensar no futuro.
Apesar de o lançamento oficial ser apenas esta segunda-feira, o projecto educativo tem sido testado desde meados de Novembro, tendo já registado um enorme sucesso. 
Veja o vídeo:

Projecto inovador gera entusiasmo em professores e aluno


O Media Lab, projecto dinâmico e multiplataformas, pretende ensinar coisas sérias de uma forma divertida. Com o colete do DN (jornal Diário de Notícias) vestido e de caneta na mão, o entusiasmo é geral quando chega a hora de os alunos se tornarem em jornalistas por um dia. Um projecto que levou seis meses a concretizar, com tecnologia de ponta, e que é inovador em Portugal.
Ser repórter por um dia. A ideia lançada agrada, de imediato, aos alunos que entram na galeria do DN, no piso 0 do edifício na Avenida da Liberdade, onde está instalado o Media Lab. Assim que vestem os coletes do Diário de Notícias e se preparam para entrar em missão, o entusiasmo aumenta.
Durante as duas horas seguintes, cada turma não só fica a conhecer a história do edifício do DN, assim como a do próprio jornal, mas também aprende o ABC do jornalismo, as suas principais bases, regras e suas implicações junto da sociedade. O novo centro educativo do DN pretende isso mesmo: pôr cada estudante entre os dez e os 18 anos na pele de um jornalista, dando-lhe a possibilidade de criar uma primeira página de um jornal.
O Media Lab, que já está em funcionamento desde o dia 15, em sessões-piloto, tem recebido várias escolas do País. Este é um projecto recente, mas o sucesso já se faz sentir: a procura por parte das escolas nacionais tem sido tanta que já só se aceitam reservas a partir de Fevereiro. Num ano são esperados mais de 30 mil alunos no Media Lab do DN, cerca de 2600 por mês e 120 por dia, 60 de manhã e 60 à tarde.
O director de Marketing do Diário de Notícias explica a necessidade de criar um projecto inovador e ambicioso como este. "Os jovens de hoje têm ao seu dispor muitas e variadas ferramentas tecnológicas de acesso a informação, quer nas escolas quer em casa. Mas, de uma forma geral, desconhecem os processos, os preceitos e os meios subjacentes à criação de conteúdos informativos. Por outro lado, muitos dos jovens de hoje desconhecem a verdadeira dimensão e impacto social, político, económico e até cultural que um jornal como o DN teve ao longo dos seus quase 150 anos de existência", frisa Alexandre Nilo Fonseca.
Dotar os estudantes do País de um olhar mais crítico é um dos desafios. "Um projecto é sempre emotivo e agradável, porque nós gostamos muito de projectos educativos, que deixam os miúdos a pensar. É o nosso ADN, fazer com que os alunos venham aqui aprender. Hoje em dia, os alunos não têm noção do que é o jornalismo, porque são bombardeados com tanta informação. Não conseguem fazer essa triagem. O Media Lab fá-los pensar. É gratificante e inspirador fazer este tipo de trabalho com os mais novos", explica Matilde Ataide, da Brand Meaning, a empresa que desenvolveu o projecto em parceria com o DN.
Um projecto como este exigiu um forte investimento em tecnologia de ponta. Computadores portáteis com webcam, projectores touch screen e o software que permitem aos alunos pôr em prática o que aprenderam, são apenas alguns exemplos.
O Media Lab é um projecto dinâmico, com várias etapas. Mas vamos por partes. As turmas chegam à galeria do DN e são credenciadas com um colete do jornal. De seguida, ficam a saber mais sobre os painéis de Almada Negreiros patentes na galeria do edifício do DN e recebem um pequeno briefing sobre a história do prédio do jornal.
Depois, segue-se o visionamento de um filme do renovado auditório multimedia do DN. Com imagens históricas de arquivo, alunos e professores são levados no tempo, numa viagem que aborda a história do DN e dos principais acontecimentos históricos que a ele ficarão associados. Por fim, os alunos agrupam-se em pares e constroem uma primeira página de jornal de raiz: escolhem títulos, imagens, leads, corpos de notícia e dispõem-nos na capa da forma que querem.
"As escolas podem esperar duas horas de informação, divertidas mas didácticas, ou seja, ludopedagógicas. Eles vêm aprender coisas sérias de uma maneira simpática e engraçada. Diferente, até. É mais divertido do que estar na sala de aula a aprender o que é uma manchete, uma notícia. Aqui fazem in loco o que dão em teoria, nas aulas. Mesmo que se trate de alunos que não sejam de jornalismo, é sempre bom ter um espírito crítico de tudo o que nos rodeia. Têm de saber distinguir a notícia e o que é mais ou menos importante", diz Matilde Ataide.
Elsa Caetano, professora da EB 2/3 D Pedro IV, de Massamá, uma das escolas que visitaram o Media Lab esta semana, afina pelo mesmo diapasão. "Este projecto entusiasmou-me logo. É extremamente importante esta ligação. Calhou mesmo bem, porque estou a trabalhar com a minha turma o texto de imprensa. Todos os conteúdos do Media Lab, aquilo que vimos e toda a organização do projecto, estou a gostar imenso. É muito válido e é algo que traz os miúdos para a realidade. É uma iniciativa óptima", afirma a docente.
Cláudia Vau é uma das formadoras do Media Lab e ensina a base do jornalismo aos mais novos. "É muito importante que os jovens comecem a perceber que as notícias não são fabricadas. São baseadas nos factos da actualidade", explica. A formadora salienta o entusiasmo com que as escolas visitam o novo espaço do DN. "Os alunos não são muito desordeiros. Vêm muito entusiasmados com a ideia de fazer uma primeira página, é uma coisa importante. Levam a iniciativa muito a sério", frisa.
Duas semanas após as primeiras sessões-piloto, Matilde Ataide confessa que o mais difícil em dar vida ao projecto reside na tecnologia. "A parte de software é sempre a mais difícil. Mas, felizmente, tem corrido tudo bem e estamos bem preparados para o lançamento".
Com o sucesso do Media Lab, é possível que o projecto transforme mais estudantes em futuros jornalistas, é a expectativa dos responsáveis do projecto.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Prémio de Literatura Infantil 2010

O livro O Cavalinho de Pau do Menino Jesus e Outros Contos de Natal, editado pela Porto Editora, e da autoria de Manuel António Pina, foi distinguido com o Prémio de Literatura Infantil 2010, um prémio bienal atribuído pela Fundação Bissaya Barreto.
Fique a conhecer melhor o autor

Sinopse da obra O Cavalinho de Pau do Menino Jesus e outros contos de Natal - um novo livro para crianças, constituído por três contos de temática natalícia. Como sempre acontece na escrita deste autor, a inventividade narrativa, a ironia e o humor, sem deixarem de recorrer à matriz bíblica, jogam com os mitos, desconstroem-nos e humanizam-nos sem rasurarem a magia que lhes é própria.E, assim, propõe aos mais novos e ao público adulto histórias que interpelam, fazem pensar e – não menos importante – emocionam. As ilustrações de Inês do Carmo constituem o complemento ideal destas breves ficções.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

I Feira do Livro na BE Aquilino Ribeiro


Encontra-se patente na biblioteca da EB 2,3 Aquilino Ribeiro a I Feira do Livro, especialmente destinada a crianças e jovens desde o pré-escolar ao 3º ciclo do ensino básico, não esquecendo literatura para adultos de autores contemporâneos.
A afluência tem sido muita, assim como o entusiasmo manifestado por quem a visita.
Sábado, dia 27 de Novembro, pelas 15.00h, no auditório da escola, decorrerá uma oficina de leitura, dinamizada pelo escritor Carlos Paixão e o ilustrador Carlos Pais. Esta sessão contará com elevado número de alunos e respectivos pais e encarregados de educação.